Viver na favela é inovar o tempo todo. Todos os dias, entre ausências e dificuldades, a gente aprende a reinventar caminhos, resolver problemas e seguir com dignidade. A imagem histórica da favela como sinônimo de carência esconde nosso enorme potencial criador, baseado em redes de solidariedade e saberes compartilhados.
A Galeria Providência parte dessa força para construir práticas que enfrentam os desafios do território de maneira colaborativa, afetiva e estratégica. Desenvolvemos tecnologias sociais que nascem da escuta, da experiência e da urgência. Ferramentas que organizam, conectam, auxiliam e potencializam a capacidade do território de pensar e agir por si. Sempre em rede, buscamos parceiros e apoiadores que possam somar nessa caminhada.
Viver na favela é, antes de tudo, inventar. A cada dia, moradores da Providência inventam soluções criativas para lidar com os desafios. É dessa potência que nasce nossa inspiração. Nesta linha de ação, concentramos em nosso Laboratório de Dados (DataProvi) os trabalhos de criação, teste e adaptação de metodologias participativas, pensadas a partir da realidade local e voltadas à criação de ferramentas que possam ser reproduzidas, fortalecendo a autonomia comunitária.
Inteligência Comunitária na Covid-19: Realizamos um mapeamento minucioso que alcançou 8.525 moradores. Essa base de dados foi fundamental para monitorar o nível de contágio e garantir que doações de alimentos e materiais de higiene chegassem com precisão aos lares mais vulneráveis.
Censo Popular da Providência (2022): Este é o nosso principal exemplo de ciência cidadã. Durante dez semanas, os Moradores Monitores (MMs) visitaram 2.897 domicílios, resultando em 1.456 questionários respondidos. O projeto uniu a tecnologia social do território à expertise cartográfica do NEGRAM/IPPUR/UFRJ, gerando um retrato real e técnico do morro.
Cadastro Vizinhos do Amanhã: Uma operação logística e social complexa que envolveu 8 mil cadastramento e a entrega domiciliar de 6 mil carteirinhas para moradores, estreitando os laços entre a comunidade e os equipamentos culturais da Pequena África.